quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Mar de Peniche



1

Todos os dias acordam

violadas estas praias

que dizemos virgens.


2

A chuva esse suor do mar

já não desfaz a solidão dos homens

ou o piar dos corvos.


3

Mar de Peniche

onde os peixes se atiram contra os barcos

e as grutas dos rochedos nada acoitam.


4

As traineiras juntaram-se a dormir.

Mas o mar não esquece

e grita contra a fortaleza.


5

O mar sorveu todo este dia exausto.

E o que fica da praia são estas pedras

lassas transidas pelo sono.


6
O que fica das pedras é este mar de sono

que os homens já submersos

sorvem a curtos haustos.


7

O que fica da noite

são os presos exaustos

que as pedras dissimulam

e o mar absorveu.


Armando Silva Carvalho